Brasileiros preferem empreender a fazer carreira em empresas

Pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) de 2021, do Sebrae e IBPQ, traz dados sobre o cenário empreendedor do país

O sonho de ter um negócio próprio, para grande parte da população, supera o desejo de construir uma longa carreira em empresas. De acordo com o relatório Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2021, realizado pelo Sebrae em parceria com o Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP), empreender já é o terceiro maior sonho dos brasileiros. A vontade de ser o próprio chefe perde apenas para o desejo de viajar pelo país e ter uma casa própria.

Segundo o GEM 2021, o Brasil tem 43 milhões de empreendedores, volume que compreende os que já têm um negócio formalizado ou, no último ano, realizaram alguma ação com intenção de ter um empreendimento no futuro. Na edição brasileira da pesquisa, em 2021, o Sebrae ouviu 2.000 respondentes e 46 especialistas.

Os dados apontam para um cenário de declínio empreendedor no país, com uma ligeira queda no número de empresários e microempreendedores individuais (MEIs), bem como de novos empreendedores, chamados de empreendedores iniciais — com negócios de até 3 em operação.

O volume de empreendedores brasileiros à frente de um negócio com mais de 3,5 anos, chamados de empreendedores estabelecidos, porém, voltou a crescer no país. O acréscimo foi de 1,2 ponto percentual e passou de 8,7% da população adulta em 2020, para 9,9% no ano passado. O total representa cerca de 14 milhões de pessoas.

Junto disso, o Brasil também subiu seis posições no ranking de empreendedorismo global, e hoje é a sétima economia com o maior número de empreendedores estabelecidos do mundo, atrás apenas de Coreia do Sul, Grécia, Guatemala, Cazaquistão, Polônia e Turquia.

“Nosso país é composto por micro e pequenas empresas. Nossas estimativas mostram que de 80 a 90 milhões de brasileiros dependem diretamente dessas empresas. É um dado relevante”, disse Carlos Melles, presidente do Sebrae, em coletiva de imprensa nesta quinta-feira, 24.

Para Melles, o declínio no número de empreendedores iniciais não necessariamente é um fato preocupante, pois reflete um cenário influenciado pela melhora na pandemia — boa parte dos negócios fundados nos últimos anos surgiram em função do desemprego e da crise econômica causada pela covid-19. Um indicativo positivo é justamente a maior quantidade de empreendedores mais experientes, que mantiveram o negócio aberto, mesmo diante do cenário macroeconômico conturbado.

Outro indicador é a queda na taxa de empreendedorismo por necessidade. No ano passado, cerca de 48,9% dos empreendedores iniciais abriram um negócio por necessidade. Em 2020, esse número era de 50,4%. Enquanto isso, o empreendedorismo por oportunidade chegou a 76% do total.

No lugar da necessidade, houve um aumento no número de pessoas que consideram a geração de impacto positivo como a principal motivação para empreender. Para 76% dos entrevistados, fazer a diferença no mundo é o que incentiva a criação de um negócio.

Importância do crédito

Segundo Melles, o acesso a crédito é uma das principais razões para o amadurecimento dos pequenos negócios no país, mesmo quando tomado de maneira emergencial, como nos casos dos programas federais Pronamp (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) e Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (BEm). “Esses programas foram de muita importância para a retomada econômica de pequenos empresários em 2021 e trouxeram fôlego de maneira geral”, diz.

Segundo Melles, há um consenso entre diferentes representantes da indústria e governo de que o crédito para PMEs deve continuar sendo o principal alvo de esforços. “O crédito é uma ferramenta indispensável”.

Fonte: Exame

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